Os impactos dos serviços de limpeza
Às vezes questionados, quase sempre desvalorizados, e até mesmo desrespeitado. Esta é a realidade de quase todos os profissionais de limpeza e higiene, seja ela a doméstica, empresarial, especializada ou a técnica.
Dados comprovam que os profissionais de higiene estão entre os que têm os menores ordenados em todo o mercado de trabalho global, e isto resulta nas impressões citadas no início deste artigo.
Estes dados são alarmantes, e deveriam ser objeto de apreciação por sindicatos, órgãos reguladores, recursos humanos, empresários e clientes de serviços de limpeza profissional. Para corroborar com esta afirmação, convidamos a todos para uma reflexão não muito profunda sobre os serviços de limpeza:
I. Na experiência do cliente, a limpeza em 99,5% dos casos é avaliada e costuma interferir diretamente na satisfação, ou não;
II. Em empresas, todos os profissionais têm sua importância, entretanto, aqueles que fazem as limpezas costumam gerar os impactos mais percebidos por todas as pessoas e, na falta deles, a perceção da ausência é facilmente levantada, diferente da maioria os demais trabalhadores;
III. A pandemia do Covid-19 elevou a categoria dos profissionais de saúde, que sem dúvidas teve uma participação altamente reconhecida no avançar da enfermidade. Mas, a transmissão do vírus manteve uma relação direta com as equipas de higiene, dado que a transmissão também ocorre pelo contato com objetos ou locais infetados, e a única forma de desinfetar era através da limpeza;
IV. Dados revelam que as áreas da limpeza estão entre as que mais afastam trabalhadores por acidentes ou doenças laborais, concorrendo negativamente com a construção civil, agroindústria, mineração, entre outras áreas com elevadores índices de baixas;
V. Em 100% do planeta os profissionais da higiene e da limpeza estão entre os que menos recebem, e não apenas os ordenados, mas também benefícios, promoções e prêmios. A ampla maioria do reconhecimento para esta equipa provem de ações que mais parecem verdadeiras ações sociais, e não genuinamente orientadas pelo resultado gerado por este tipo de trabalhador;
VI. Em Portugal, a lei exige 40h de formação anual para todos os trabalhadores que têm relações geridas por contrato de trabalho, o que no Brasil por exemplo é equiparado ao CLT. Mas, e é verdade que isto não acontece apenas na limpeza, a ampla maioria das empresas contratantes não cumpre esta exigência legal. Por outro lado, os profissionais da higiene tampouco estão entre os que mais buscam qualificação externa, o que acaba por desvirtuar o cenário aqui exposto.
Após esta reflexão não tão profunda, mas importante, a título deste artigo tem o objetivo de refinar o olhar sobre o serviço profissional de limpeza, mas também para as pessoas que fazem os trabalhos domésticos das suas próprias casas, e merecem o reconhecimento pela elevada importância que tem na saúde, bem-estar, conforto e preservação dos patrimônios.
É seguro afirmar, e pesquisas comprovam, que um ambiente sem limpeza se torna insalubre, diminui a produtividade, eleva a possibilidade de ocorrências com a saúde e impacta negativamente na experiência do cliente.
Para melhorar este cenário, abaixo há algumas sugestões:
- Investir na formação e carreira dos profissionais da limpeza e higiene;
- Criar planos de melhoria contínua para os processos desta área;
- Acompanhar os indicadores operacionais e de RH com o mesmo rigor que os financeiros;
- Agir sempre de forma preventiva. A ação corretiva nesta área poderá resultar em consequências de elevado impacto na casa, empresa, comunidade e sociedade.
Pense, reflita e crie ações. Esta é uma área que está em completo atraso neste sentido.
Até a próxima.
Leandro Frigo - A Tua Maneira
